Samsung antecipa Galaxy M62 com bateria gigante em meio à alta de preços do setor

Samsung antecipa Galaxy M62 com bateria gigante em meio à alta de preços do setor

A Samsung pegou o mercado de surpresa nesta semana. Por um lado, a gigante sul-coreana acabou revelando detalhes de seu novo intermediário, o Galaxy M62, antes da hora prevista. Por outro, o cenário geral da indústria não é dos mais animadores para os consumidores, uma vez que os preços de smartphones e tablets da marca estão subindo. Esse encarecimento reflete um problema global complexo e cada vez mais grave: a escassez de componentes no mercado de tecnologia.

O “vazamento” oficial e o poder do M62

Embora a previsão inicial fosse de que o Galaxy M62 chegasse às prateleiras apenas em março, o próprio site tailandês da Samsung se adiantou e publicou as especificações do aparelho. Na prática, o dispositivo é uma versão renomeada do Galaxy F62, oficializado na Índia na última segunda-feira (22). Varejistas tailandeses já confirmam que o lançamento no país ocorrerá na próxima quarta-feira (3).

A expectativa é que o novo celular chegue custando o equivalente à sua versão indiana, algo em torno de US$ 330 (aproximadamente R$ 1.800 em conversão direta). Ainda é um mistério, porém, se a fabricante planeja expandir as vendas desse modelo para outros continentes em um futuro próximo.

Semelhanças de hardware e o histórico no Brasil

Colocando as fichas técnicas lado a lado, a maioria das especificações do M62 e do F62 são praticamente idênticas. Ambos ostentam uma tela de 6,7 polegadas com resolução 1080p e são equipados com o SoC Exynos 9825, o mesmo processador octa-core robusto que dava vida à linha Galaxy Note 10. Contudo, o grande chamariz de ambos os aparelhos é, sem dúvida, a bateria monstruosa de 7.000 mAh.

Com base nos dados divulgados, a única diferença real entre as variantes está no armazenamento. Enquanto o modelo indiano entrega 256 GB de espaço interno, o Galaxy M62 chega com 128 GB. A memória RAM permanece intacta com 8 GB nas duas versões.

Vale lembrar que o público brasileiro já tem certa intimidade com essa proposta de energia de sobra. Em novembro do ano passado, a Samsung lançou dois aparelhos da linha “M” por aqui: o Galaxy M21s, que traz um componente de 6.000 mAh, e o Galaxy M51, que já contava com os mesmos 7.000 mAh oferecidos agora pelo M62. Vendidos exclusivamente no varejo online, esses modelos detêm, até o momento, a maior capacidade de bateria entre os celulares de marcas populares disponíveis no Brasil.

Escassez de componentes e o impacto no bolso

Apesar das novidades no portfólio, levar um gadget novo da marca para casa está ficando mais caro. Diversos celulares de ponta e tablets da Samsung sofreram aumentos significativos de preço recentemente. Esse movimento de alta ilustra perfeitamente o impacto do salto nos custos dos chips de memória em toda a cadeia produtiva.

Segundo Omar Gallaga, especialista em tecnologia que relatou o caso para a CNET, a culpa por essa inflação recai principalmente sobre as tarifas comerciais e a drástica falta de suprimentos. Como a Samsung também fabrica e vende peças para outras empresas de tecnologia, o repasse desses custos acabou encarecendo e até dificultando a disponibilidade de computadores e discos rígidos de várias outras marcas no mercado.

Um problema que atinge toda a indústria

A crise logística e de fabricação respinga de forma implacável em todo o setor. A Apple, por exemplo, que utiliza processadores próprios fabricados por terceiros, precisou retirar do seu catálogo algumas configurações de computadores de alto desempenho. É bastante provável que a escassez de memória RAM, somada ao desejo de atualizar futuramente o hardware desses equipamentos, tenha forçado a empresa de Cupertino a realizar essas mudanças. No fim das contas, a falta de peças dita as regras do jogo, forçando as gigantes da tecnologia a adaptarem seus lançamentos enquanto o consumidor lida com prateleiras vazias ou etiquetas de preço mais salgadas.

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